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Bloomberg revela os tópicos do futuro discurso de Pútin no Fórum Econômico de São Petersburgo

Segundo a agência analítica Bloomberg, o presidente da Rússia, Vladímir Pútin, não irá tocar em temas sensíveis, como reforma econômica destinada a evitar a recessão, a redução da corrupção e proteção maior ao direito acionário. Os analistas também revelaram que Pútin anunciará a recusa da Rússia em participar de grandes projetos econômicos tendo em vista a reconstituição de reservas pelo Banco Central com objetivo de concretização de “ambições de política externa, incluindo a Ucrânia”. Segundo a reportagem, Pútin, no momento, interessa-se financeiramente somente em relação aos gastos com Defesa. No entanto, acreditam os analistas que o discurso do presidente será neutro politicamente para não agravar mais ainda as relações com os Estados Unidos e seus aliados. O presidente assegurará aos cidadãos russos que o pior das sanções já passou e os preços do petróleo não mais cairão; na verdade, essas dificuldades serviram para fortalecer o país.

 Do nosso ponto de vista, o discurso de Pútin será antes de tudo significativo para a política externa. De fato, é improvável que a Rússia aumentará o grau de confrontação com o Ocidente, algo já bastante elevado. Diante disto, fica claro que, enquanto durar estes sérios desentendimentos com o Ocidente, nenhum investimento externo proveniente de lá será feito na Rússia. Todavia, a economia russa se mostrou muito mais forte do que os analistas europeus e norte-americanos consideravam há um ano atrás. Os suportes substanciais da economia foram providos pela recuperação do mercado de matéria-prima e pelas grandes exportações produtos militares. Acreditamos da mesma forma que a política de substituição de importações será de grande importância para o aumento da qualidade do PIB russo, mas pouco influenciará na dinâmica dos índices macroeconômicos. No que toca à parte destinada a investidores, a situação é compreensível mesmo sem o discurso do presidente: o mercado acionário russo é o mais barato de todas as grandes economias. O potencial de crescimento até o máximo alcançado em maio de 2008 é mais de 150%.

Quinze anos atrás, os investidores que acreditaram na Rússia e Pútin conseguiram bons lucros. Talvez a situação irá se repetir. Naturalmente, não falamos de todo o mercado, mas de exportadores que se beneficiaram da desvalorização ou de importadores que agora se utilizam do mercado interno. Provavelmente, o investimento direcionado poderá ser mais lucrativo do que aquele baseado em um índice que caracteriza a economia como um todo.

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