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Preço do ouro bate recorde nos últimos 3 meses

Desde os primeiros dias de 2016, é possível observar uma falta de sincronia entre o ouro e dólar, os quais geralmente possuem uma correlação intrincada que corre em direções opostas entre si: enquanto o dólar sobe, em via de regra há a queda do ouro e vice-versa. Todavia, ao longo do mês de janeiro, tanto quando o gráfico do ouro quando o índice do dólar, DXY, localizam-se em canais de alta. No timeframe seamanal a situação é oposta e axial à lógica – o crescimento do ouro foi acompanhado pela queda do dólar.

O índice do dólar DXY movimenta-se no âmbito de um canal horizontal entre os níveis de 98,17 e 99,80. O dólar, desde semana passada, caiu da borda superior e agora testa o suporte da linha inferior. Em caso de quebra, o DXY poderá atingir 98,17, valores alcançados no dia 7 de janeiro de 2016.

A última reunião da Federal Reserve não causou alterações substanciais no desempenho do dólar. Espera-se do regulador norte-americano a inalteração das taxas de juros, mormente diante da intensificação dos temores com a elevada volatilidade nos mercados financeiros globais e com a lentidão do crescimento econômico dos maiores países do mundo. O conteúdo do comunicado do Fed gerou dúvidas, no entanto, sobre a possibilidade de elevação das taxas de juros já na sua próxima reunião, a ser realizada entre os dias 15 e 16 de março. O mercado de futuros estima em 25% a probabilidade do aumento das taxas de juros. A declaração contém  a informação de que “o Fed acompanha de perto a evolução da economia mundial e os mercados financeiros, avalia o seu impacto no mercado de trabalho e da inflação, bem como o balanço de riscos”.

A manifestação do Fed atraiu a atenção dos investidores porque retomou o tom de incerteza que ano passado marcava as contínuas declarações da instituição. Por exemplo, ainda em dezembro passado, o regulador acreditava que o aumento seria possível diante dos resultados positivos do mercado de trabalho e da inflação estabelecida a 2%. Agora, por outro lado, o Comitê de Operações de Mercado Aberto levanta questões sobre as conclusões anteriores diante de novas previsões sobre inflação, crescimento econômico e emprego.

Outro poderoso fator de incerteza do Fed relaciona-se com os os riscos enfrentados pela perspectiva econômica. Normalmente, os bancos centrais provêem o mercado com orientação e elaboração de relatórios sobre equilibrio de riscos ou sobre o descompasso entre a inflação real e suas perspectivas de crescimento. Desta vez o regulador está em dificuldades para formar uma avaliação precisa do mercado, algo que acontece com pouca frequência. A última vez que a instituição deixou de avaliar riscos em sua declaração ocorreu no mês de setembro de 2007, às vésperas da crise financeira global.

Todavia, não há motivo para alarme uma vez que as autoridades do Fed prevêem que a economia dos EUA continuará com seus moderados crescimento e criação de novos empregos e aumentando gradualmente a inflação para um nível confortável de 2%.

A desaceleração da economia chinesa, a instabilidade dos mercados globais acionários e de commodities podem ser traduzidos como dificuldades temporárias ou sinais de problemas a longo prazo. Dúvidas como estas vêm atormentando o Fed desde agosto do ano passado, quando o declínio nos mercados de ações da China e da desvalorização do yuan levaram a uma queda generalizada dos mercados ao redor do mundo. Mesmo assim, as taxas norte-americanas não foram elevadas. Depois que os mercados se acalmaram em dezembro, as taxas foram aumentadas, e agora a renovada turbulência nos mercados coloca o banco central norte-americano em uma posição difícil, forçando novamente a reavaliação desta medida macroeconômica.

Já em dezembro passado, o Fed previu um aumento da taxa em 0,25% em 2016 dividido em quatro ocasiões durante o ano. Agora, todavia, o prognóstico é mais contido: se a instituição planeja segundo seu plano original elevar a taxa em 1,375% até o fim do ano, o mercado de futuros espera que o aumento se limitará 0,605%.

Ouro, por sua vez, não esperou o aperto da política monetária dos EUA e subiu em 15 dias de 1.071 USD a 1.128 USD por onça troy, o nível mais alto desde novembro passado. Teoricamente, o horizonte a médio prazo é que ele abra caminho para a recuperação dos preços até 1.190 USD, nível atingido em meados de outubro de 2015. No entanto, a nossa perspectiva de longo prazo permanece inalterada: com o aperto da política monetária nos EUA e o crescimento do dólar, ouro, apesar título atribuído de "valor eterno" vai continuar o seu declínio.

XAUUSD

13 de abril, 13:11 (GMT+3)
Ouro ficará mais caro

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